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Consciência Negra e Valorização da Diversidade

sexta-feira, 18 de novembro de 2011, 20h11

No dia da Consciência Negra, 20 de novembro, temos muitas razões para relembrar a história de lutas e reivindicações a favor da real participação do negro nas decisões políticas e econômicas em nosso país.

Neste artigo, Rosa Andrade, especialista em projetos de estudo étnico-raciais e presidente do Conselho Deliberativo da CARE Brasil, fala sobre o trabalho da ONG no combate às causas estruturais da pobreza, sobre as conquistas e desafios dos afrodescendentes, além de apontar alguns ícones da raça negra que tanto contribuíram para o desenvolvimento do Brasil.

Consciência Negra e Valorização da Diversidade

Por Rosa Andrade*

Em 2011 a ONU celebra o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, um ano dedicado à luta contra racismo, a xenofobia e todas as formas de intolerância. Aqui no Brasil, desde a década de 90, o dia 20 de novembro é celebrado como o “Dia Nacional da Consciência Negra” – homenagem a Zumbi dos Palmares, um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Zumbi dos Palmares é considerado um dos grandes líderes de nossa história e atualmente ocupa o Panteão dos Heróis nacionais.

Rosa Andrade

No mês da consciência negra, destaca-se a divulgação da história de lutas e reivindicações da população afrodescendente, suas conquistas por reconhecimento e reparações e a implementação das ações afirmativas que objetivam a efetiva participação do negro nas decisões políticas e econômicas.

Em 2010, a população afrodescendente, segundo o censo do IBGE, passou a ser a maioria da população brasileira. Apesar de ser uma presença com origem na violência da escravidão, a contribuição positiva da população negra para a formação do nosso país foi e continua sendo essencial.

Vivemos um momento importante para o combate ao racismo e às discriminações e avanços significativos como a criação da Lei 10639/03 – que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afrobrasileira na educação- a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e os processos de reconhecimento, titulação e promoção de desenvolvimento socioambiental de territórios quilombolas.

A homenagem a Zumbi dos Palmares é totalmente justa. Mas não podemos esquecer outros ícones da raça negra que tanto contribuíram para nossa história. Nomes como Milton dos Santos (um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil na década de 1970), André Rebouças (engenheiro, inventor e abolicionista) e o escritor Machado de Assis.

Entre as mulheres afrodescendentes de destaque, podemos citar Mãe Menininha do Gantois (a mais respeitável mãe-de-santo da Bahia. Além de seguidores do candomblé, agregou pessoas de todas as religiões em seu terreiro), Dra. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (primeira intelectual negra a integrar o Conselho Nacional da Educação e forte influenciadora da Lei 10639/03). Isso sem falar nas milhões de mulheres negras que com sua garra, força de trabalho, empenho e dedicação cuidam e mantêm a vida em nossa sociedade.

Hoje a antiga e errada idéia de que o Brasil vivia uma “democracia racial” já não vigora mais, e o combate ao racismo está institucionalizado nas políticas de Estado. Ainda assim é importante que essa luta continue presente na sociedade civil organizada, permeando todas as nossas ações.

A CARE Brasil trabalha em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, sem pobreza, com oportunidades para todos e respeito à diversidade. A situação de pobreza que vitima em especial os afrodescendentes  foi produzida ao longo de nossa história através de mecanismos sociais que ainda promovem a injustiça e a discriminação. A atuação da CARE Brasil no desenvolvimento local foca as causas estruturais que estão por trás destes mecanismos.

Ao promover o desenvolvimento local, nosso trabalho envolve a população (mais vulnerável), ou seja, os mais pobres, a população negra, as mulheres e os jovens. Nossa abordagem busca criar condições favoráveis ao desenvolvimento local justo e inclusivo, considerando as dimensões de inclusão social, inovação na gestão pública, diversificação e fortalecimento da economia local, uso sustentável dos recursos naturais e a mobilização da sociedade civil.

Proporcionar uma vida digna para a população significa criar condições para que o acesso aos direitos civis, à educação de qualidade e às oportunidades de trabalho e renda. O desenvolvimento social e econômico com justiça social são passos importantes na luta contra o racismo e a discriminação, mas não são os únicos.

*Rosa Andrade é presidente do Conselho Deliberativo da ONG CARE Brasil, bióloga especialista em biotecnologia e em projetos de estudo étnico-raciais com ênfase na população negra.


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