
Estande da CARE na conferência (Sandra Bulling/CARE)
Após duas semanas de negociações difíceis sobre o clima em Cancun, finalmente, resultados concretos foram apresentados, de acordo com a equipe da CARE Internacional presente na COP16. “Nós damos as boas-vindas aos importantes progressos, mas devemos ser cautelosos, porque as questões difíceis de mitigação e financiamento permanecem sem resolução”, disse Poul Erik Lauridsen, Coordenador de Advocacy da área de Mudanças Climáticas da CARE.
O acordo de Cancún vem como uma surpresa agradável para todos que ainda se recuperam da decepção em Copenhague (COP15). “Não há uma causa definitiva para a comemoração, mas pelo menos damos um suspiro de alívio. O acordo de Cancún mostra que as negociações multilaterais podem produzir resultados quando há vontade política”, disse Lauridsen. “No entanto, muitas questões permanecem sem solução para chegarmos a um acordo global sobre mudanças climáticas.”
Um fundo para a causa foi estabelecido (Green Climate Fund). Mesmo que não haja dinheiro nele ainda, e muitas de suas regras ainda precisem ser trabalhadas, é uma importante declaração de compromisso para um acordo justo, ambicioso e obrigatório no próximo ano, em Durban. “Parece um lindo presente de Natal. Mas não há nada na caixa ainda “, disse Lauridsen.

Sessão de treinamento e capacitação da delegação da CARE (Sandra Bulling/CARE)
Um acordo sobre a redução de emissões por desmatamento (REDD+) foi alcançado, embora o tema mais polêmico, sobre como o REDD será financiado, foi adiado para conversas posteriores. “O texto acordado sobre REDD em Cancún é muito mais fraco em matéria de salvaguardas do que o que esperávamos conseguir”, advertiu Raja Jarrah, consultor de REDD para a CARE. “Ele contém algumas lacunas. Nós precisamos certificar-nos de um mecanismo de REDD que funcione na prática, para realmente beneficiar o planeta, assim como os povos e comunidades que dependem das florestas.”
Após difíceis negociações, o fato de uma agenda de trabalho sobre a adaptação às mudanças climáticas ter sido acordada foi uma conquista significativa. Algumas das questões mais espinhosas foram deixadas para serem resolvidas durante o próximo ano, como a decisão sobre quais países são mais vulneráveis e as providências para compensar os países pelas perdas permanentes decorrentes das mudanças climáticas.
“Ainda há muito a ser trabalhado na adaptação. Um financiamento substancial é absolutamente essencial”, comentou Poul Erik Lauridsen. “Mas agora este acordo é uma boa notícia para as comunidades pobres mais afetadas pelas mudanças climáticas”.
A CARE Internacional ressalta como positiva a inclusão explícita das considerações sobre gênero em adaptação e em REDD+, uma vez que as mudanças climáticas afetam homens e mulheres de forma diferente, assim como seus papéis de resposta aos impactos são diferentes.
O Acordo de Cancún, no entanto, não gerou metas de redução de emissões ambiciosas e obrigatórias para manter o planeta em um patamar de mudança de temperatura de 2 graus. Isso é fundamental em um acordo global sobre mudanças climáticas que pretende abordar as causas em vez de responder aos sintomas. Lauridsen concluiu: “O tempo está acabando e quanto mais adiarmos a redução das emissões, mais massiva terá de ser a resposta de adaptação.”









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