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  • Educação: sem protagonismo estudantil não haverá avanços no ensino - 06/05/2013

    José Claudio Barros*

    Educação. Palavra que constantemente está na mídia, no discurso de políticos, nos debates entre especialistas. Sempre com o mesmo bordão “Educação é a base de tudo”. Entretanto, apesar do reconhecimento geral sobre a importância da educação, inúmeras matérias e pesquisas revelam o quanto ela ainda tem de evoluir e como necessita de mais investimentos no Brasil. Professores mal pagos, desvalorizados e desqualificados; escolas sem infra-estrutura; projetos político pedagógicos descontextualizados e desmotivadores estão entre os elementos que conformam um quadro de desrespeito a profissionais da educação, aos alunos, às famílias e as próprias comunidades. Todos desrespeitados no seu direito constitucional de participar de uma educação de qualidade promotora de sujeitos de direitos e de comunidades desenvolvidas.

    No último 28 de abril, comemorou-se o Dia da Educação. Apesar deste quadro, ainda temos o que celebrar. Em todas as partes do país temos iniciativas valorosas que estão motivando meninos, meninas e jovens a se reconhecerem sujeitos da construção do conhecimento. Por outro lado, são iniciativas, em sua grande parte, exclusivas de profissionais da educação que as empreendem independente de incentivos de política pública. No final de 2012 foi divulgada uma avaliação sobre a qualidade da educação em diferentes países elaborada pela empresa Pearson. O Brasil ficou na penúltima posição, atrás de nações como Colômbia, Tailândia e México. Apenas os estudantes da Indonésia figuram atrás dos brasileiros. O dado revela que não basta termos profissionais da educação comprometidos em promover mudanças. É necessário respaldo de política pública que torne estas experiências uma realidade comum.

    Não podemos deixar de reconhecer que houve avanços de política pública nos últimos anos, como, por exemplo, a nova lei que estabelece a matrícula de crianças a partir de 4 anos. Mas, não adianta determinar que a criança permaneça mais tempo em uma escola que não consegue ser atrativa e não consegue despertar no alunado o prazer da descoberta, o prazer pela construção do conhecimento. Esta situação é atestada pelo próprio índice oficial do governo para avaliar a qualidade do ensino, o Índice de Educação Básica (IDEB). Em estados como o Piauí e Bahia, onde temos grande concentração de pobreza, as médias do IDEB estão abaixo da média nacional. Lembrando que a média nacional, por si só, não representa o que podemos chamar de educação de qualidade.

    Pela nossa experiência junto a escolas públicas do meio rural e urbano, percebemos que há muitas aprendizagens e boas iniciativas passíveis de multiplicação e que necessitam de investimento público para atingirem escala. Em especial experiências que promovem a autonomia dos jovens na escola e na comunidade, permitindo que esta aluna e este aluno saiam da posição passiva de meros receptores de conhecimento para uma postura protagônica de construtores e promotores de conhecimento. Além de agilizar o processo de ensino/aprendizagem são iniciativas que valorizam o jovem dentro da escola e da comunidade contribuindo para mantê-lo na escola, melhorar seu rendimento e estimulá-lo para busca de novos desafios de aprendizagem.

    Além disso, são experiências que criam uma interface importante entre conhecimento escolar e conhecimento comunitário. Onde o conhecimento da escola além de ser fundamental para o futuro do jovem passa a ser reconhecido como fundamental para o presente da comunidade. Jovens que promovem a consciência sócio-ambiental, os cuidados de saúde, o prazer pela leitura, a melhoria da gestão de pequenos negócios via aperfeiçoamento de cálculos básicos de matemática entre outros, a partir do conhecimento escolar, são jovens agentes de transformação que, além de darem um novo sentido para a escola e para si mesmos, ainda promovem o desenvolvimento comunitário.

    São iniciativas que dialogam com uma proposta de educação contextualizada onde os conteúdos curriculares são trabalhados a partir do contexto local. Onde o processo de ensino e aprendizagem de uma escola do meio rural irá trazer para dentro da sala de aula a realidade da agricultura familiar, das suas festas e crenças, dos períodos de seca, do impacto da caça predatória e do desmatamento de matas ciliares na produção de alimentos, entre outros assuntos que estão no cotidiano da vida rural e que, certamente, estão relacionados a inúmeros conteúdos obrigatórios de ensino de matemática, português, história, geografia, biologia e tantas outras disciplinas.

    Apesar de tudo isso ser inovação e parecer novo, na verdade, esta forma de conceber e praticar educação faz parte dos antigos ensinamentos que Paulo Freire nos traduzia de forma poética e bela.  Infelizmente, muito do que ele deixou de legado fica apenas nos discursos e nas bonitas frases espalhadas nos murais de escolas. Está mais do que na hora de tirarmos Paulo Freire de nossas paredes e murais e o colocarmos dentro de nossa sala de aula, na voz e na atitude dos professores e no coração e na alma de nossos alunos e alunas, afinal como esse sábio mestre nos ensinou “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.

    *José Claudio Barros, 45 anos, é jornalista, Mestre e Doutor em Ciência da Informação e Gerente de Programas da ONG CARE Brasil.

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  • Equidade de gêneros por um mundo melhor - 08/03/2013

    * Renata Pereira

    Mais um dia 8 de março está chegando. E com ele, invariavelmente as anuais discussões e debates sobre a importância do sexo feminino na sociedade e a persistente desigualdade entre homens e mulheres. O Dia Internacional da Mulher, comemorado mundialmente, é certamente o melhor momento para esse tipo de reflexão. A data remonta ao distante ano de 1911, quando um incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos matou 129 trabalhadoras. É importante valorizar as conquistas obtidas ao longo desses 102 anos, fruto do esforço e de muita luta de movimentos sociais, ONGs, mulheres guerreiras, e, mais recentemente, de empresas e governos, que começam a estabelecer políticas de promoção da equidade de gênero. Entretanto, a persistência da desigualdade e do preconceito contra as mulheres é uma característica ainda muito presente em nossa sociedade.

    Estudo da consultoria americana Booz & Company coloca o Brasil na 46ª posição em um ranking de 128 países que mede o nível de igualdade entre homens e mulheres. Na lista, feita com base em indicadores socioeconômicos, estamos na frente da China e da Índia. Não deixa de ser uma colocação regular, porém, ainda há um longo caminho a percorrer, tanto nacional quanto globalmente.

    Estudos conduzidos pela ONG CARE Internacional apontam que a discriminação de gênero está entre as maiores causas da pobreza. Hoje, 1,3 bilhão de pessoas vive em situação de miséria, sendo maior percentual composto por mulheres. Para essas mulheres, a pobreza não é apenas uma questão de escassez ou necessidade, é uma questão de negação de direitos, de oportunidades reduzidas e de falta de voz.

    Trabalhar para a equidade de gênero, além de ser uma forma eficiente de lutar contra a pobreza, significa lutar pela garantia e pelo cumprimento dos direitos humanos das mulheres. Todas as evidências colhidas pela ONG mostram que em sociedades onde há mais igualdade entre homens e mulheres, seus cidadãos apresentam melhores condições de saúde e educação.

    No Brasil, apesar de as mulheres terem maior nível de escolarização – com média de 7,5 anos de estudo, frente a 7,1 anos dos homens –, elas ganham 30% menos. As mulheres são, ainda, a maioria da população sem nenhum rendimento, segundo dados de 2012 da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal).  Enquanto 16,5% dos homens estão nessa situação, entre as mulheres, esse percentual chega a 30,5%. A mesma instituição demonstra que, na América Latina, a cada 10 homens em situação de pobreza, há 12 mulheres na mesma situação.

    Outro problema que afeta de maneira gritante as mulheres brasileiras é a violência. Estudo da ONU-Habitat de 2012 afirma que o Brasil é um dos países com a mais alta taxa de feminicídio – todos os assassinatos de mulheres relacionados à violência de gênero – do mundo, ficando na 11ª colocação na América Latina.

    Este panorama demonstra que a equidade de gêneros precisa se tornar realidade. Porém, não pode se limitar a simplesmente melhorar a renda de mulheres ou permitir que elas passem a participar da renda familiar. Para que a igualdade efetiva seja atingida, é preciso que haja transformação em três diferentes âmbitos: na capacitação e no aumento de habilidades das mulheres; nas normas sociais, costumes, instituições e nas políticas que moldam as escolhas e oportunidades femininas e; nas relações de poder que influenciam suas vidas. Promover uma mudança cultural tão grande assim é trabalho árduo e depende do envolvimento de homens e mulheres; da criação de espaços de diálogo para o estabelecimento de novos acordos; da redefinição da forma como o trabalho dentro e fora do lar está distribuído; e dos papéis tradicionalmente atribuídos aos gêneros.

    Para que testemunhemos essa mudança na sociedade, ou seja, para que efetivamente haja a equidade de gêneros, é necessário promover o verdadeiro empoderamento das mulheres. O primeiro passo é combater o preconceito e reconhecer que a mulher é um agente transformador em seu lar, em sua cidade, em seu país e no mundo que a cerca. O que está em jogo, aqui, não é apenas honrar uma centena de trabalhadoras mortas tragicamente durante um protesto, uma data comemorativa ou simplesmente encampar o modismo do politicamente correto. Mais equidade e, sobretudo, valorizar as mulheres é o que vai nos garantir um mundo melhor, a partir de agora e para as próximas gerações. Não existe objetivo mais importante do que esse!

    *Renata Pereira é diretora-executiva da ONG CARE Brasil

  • Consciência Negra: A importância das ações afirmativas no Brasil - 19/11/2012

    Por Rosa Andrade*

    A Organização das Nações Unidas (ONU) inicia, em dezembro deste ano, as comemorações da Década Internacional dos Povos Afrodescendentes (2013 – 2022), tendo como tema ‘Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento’. O objetivo geral é dar maior visibilidade às demandas dos(as) negros(as) de todo o mundo.

    O Grupo de Trabalho de Especialistas sobre Afrodescendentes do Alto Comissariado de Direitos Humanos (ONU) estabeleceu um conjunto de estratégias para estimular a criação de melhores condições econômicas, políticas, sociais e culturais para milhões de homens e mulheres de ascendência africana ao redor do mundo, que hoje em dia sofrem a exclusão social em suas respectivas sociedades.

     É urgente a superação do atual modelo de desenvolvimento, no qual predominam a destruição do meio ambiente, a degradação dos espaços coletivos de vida e de trabalho e o desrespeito à cidadania e à população negra.

     Neste ano, no Brasil, as iniciativas para implementação das políticas de ações afirmativas voltadas à população negra foram ampliadas. Diante das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra – em 20 de novembro –, é importante ressaltar que há um número expressivo de programas que tratam especificamente da questão étnico-racial, firmados tanto no âmbito governamental (Plano Plurianual 2012) quanto na esfera das parcerias com instituições não governamentais e com empresas.

    Também é possível identificar, no contexto brasileiro, a crescente importância atribuída à educação e à legislação no enfrentamento ao racismo, refletida nos esforços significativos, praticados na rede escolar, para alinhar-se ao que estabelece a Lei Nº. 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas escolas do País.

    A CARE Brasil trabalha em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, sem pobreza, com oportunidades para todos e respeito à diversidade. Nesse sentido, está atenta às discussões voltadas à superação das desigualdades étnico-raciais, à correção das assimetrias que estruturam a dinâmica da sociedade brasileira e ao apoio à formulação e à implantação de políticas de ações afirmativas.

    A organização evidencia em seus objetivos e adota em seus programas tecnologias sociais ações que possam garantir a pluralidade do patrimônio sociocultural e a valorização da cultura negra local, posicionando-se a favor do desenvolvimento de relações étnicas positivas, orientadas no sentido de combate ao racismo e às discriminações. Esses temas transversais estruturam a dinâmica das comunidades para a promoção do desenvolvimento humano.

    (*) Rosa Andrade é conselheira honorária do Conselho Deliberativo da ONG CARE Brasil, bióloga especialista em biotecnologia e em projetos de estudo étnico-raciais com ênfase na população negra.

  • Por um Brasil sem pobreza - 17/10/2012

    Renata Pereira*

    No próximo dia 17 de outubro, comemora-se o Dia Internacional de Combate à Pobreza, data oficializada pela Assembleia Geral da ONU em 1992. Graças principalmente à atuação de governos e organizações do Terceiro Setor, os índices de pobreza vêm diminuindo consideravelmente nos últimos anos.

    Reconhecemos que muito tem sido feito para se avançar no Brasil. De 2009 a 2011, a maior elevação nos rendimentos de trabalho (29,2%) foi observada para os 10% com rendimentos mais baixos. Entretanto, temos um contingente de 30 milhões de pessoas vivendo em estado de extrema pobreza (8,5% da população, segundo o IBGE). A realidade brasileira ainda é marcada por contradições. Somos a sexta economia do mundo, à frente do Reino Unido, porém, ocupamos a 84ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (em um ranking que reúne 200 países).

    As estatísticas mostram que ainda existe muita desigualdade e que a população que saiu da pobreza ainda está vulnerável. No quesito “distribuição de renda” figuramos na quarta pior colocação. Defendemos que os melhores mecanismos para reduzir a vulnerabilidade social passam pela ampliação do protagonismo social, pelo estímulo à geração de renda e às capacidades empreendedoras nas cidades e no campo; e pela educação de qualidade.

    Estamos convictos de que a educação está no centro da superação dos indicadores de pobreza no Brasil, mas, infelizmente, ainda estamos longe de enxergar boas notícias nesse segmento. O déficit de qualidade educacional é preocupante. Existe um processo perverso de perpetuação da desigualdade social associada à má qualidade de ensino das escolas públicas. Se por um lado temos bons índices de crianças nas escolas e ampliação de oportunidades para os jovens no mercado de trabalho, por outro, vemos escolas públicas desconectadas da aplicabilidade prática dos conhecimentos. Observamos uma educação descontextualizada das necessidades do mercado, e deparamo-nos com jovens que concluem o Ensino Médio totalmente despreparados para o mundo do trabalho. De acordo com o índice PISA, que avalia o desempenho da educação em um ranking de 65 países, estamos entre os últimos colocados, com o 53º lugar em Leitura e Ciências e 57º em Matemática. Existem, ainda, 30,5 milhões de analfabetos funcionais na população com 15 anos ou mais.

     Ações governamentais como o programa Bolsa Família e o Brasil sem Miséria são relevantes no curto prazo, pois garantem o mínimo necessário para a vida familiar. Porém, se não estiverem acompanhadas por outras ações estruturantes, não permitirão que possamos melhorar – e manter – os indicadores de superação da pobreza, afastando o risco de darmos passos para trás.

    Defendemos que tais programas estejam acompanhados de ações efetivas para construir bases sólidas do nosso desenvolvimento; ações que forneçam às comunidades pobres ferramentas e acessos para que superarem as condições de pobreza e não mais retornarem a ela. Esse movimento passa, necessariamente, pela qualificação da educação; pelo desenvolvimento das vocações locais em todos os cantos deste país continental, criando, assim, novas opções de geração de renda. Precisamos, por fim, de atividades que de fato potencializem o poder da sociedade civil em exercer controle social sobre as políticas e a boa aplicação de recursos públicos. A partir daí, será possível romper o ciclo da pobreza e sustentar em patamares altos nossos índices de desenvolvimento humano.

    Renata Pereira é diretora-executiva da CARE Brasil, ONG que em 11 anos de atuação implementou projetos de educação, geração de renda, mobilização social e resposta a desastres em mais de 60 municípios de 12 estados. A organização está presente em quatro das cinco regiões brasileiras e já beneficiou mais de 88 mil pessoas.

  • Dia Mundial de Ajuda Humanitária: tempo de solidariedade e conscientização - 17/09/2012

    *Renata Monteiro Pereira

    No dia 19 de agosto, comemora-se o Dia Mundial de Ajuda Humanitária e celebra-se a solidariedade e a dedicação daqueles que arriscam suas vidas para ajudar pessoas em condições de extrema adversidade e vulnerabilidade. A data foi instituída em 2003, quando um atentado no escritório da ONU no Iraque matou 22 pessoas, dentre elas o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, destacado membro do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) em missões humanitárias e de manutenção da paz.

    Em todo o planeta, eventos causados pelo homem e pela natureza ensejam a ajuda humanitária. Soma-se a esta já intricada equação as mudanças climáticas e os seus eventos extremos, cada vez mais frequentes. Nos últimos seis meses, por exemplo, a ONG CARE prestou ajuda humanitária a 6,5 milhões de pessoas, afetadas por oito conflitos, 24 desastres naturais e 11 crises crônicas e complexas.

    A ajuda humanitária é possível graças à solidariedade, mas é necessária também porque falhamos como sociedade ao não atendermos as necessidades básicas de um grupo de indivíduos. Talvez nunca tenhamos um mundo perfeito a ponto de que seja desnecessária. Porém, temos obrigação de lutar para que estes eventos não se convertam em um ciclo improdutivo e comprometam os esforços de combate à pobreza e promoção do desenvolvimento.

    Se por um lado o Brasil é abençoado por não sofrer com desastres como terremotos, furacões ou maremotos, por outro, cada vez mais recrudescem os efeitos de eventos extremos ligados ao excesso ou a falta de água, que afetam principalmente as populações mais vulneráveis. Todo ano sabemos que os temporais de verão provocarão desabamentos, enchentes, deixarão mortos e desabrigados e que a seca comprometerá a produção de alimentos de centenas de famílias. Mesmo assim, essa rotina invariavelmente se repete.  Enquanto isso, pessoas continuam morando em áreas de risco, a degradação ambiental prossegue e a população continua despreparada para perceber os riscos e ameaças e enfrentar os desastres e os seus efeitos.

    Em sua experiência com ajuda humanitária, a CARE Brasil reconhece que as pessoas afetadas não poderiam lutar contra as intempéries da natureza. Porém, com uma melhor preparação, medidas estruturais e estruturantes, enfim, com informação, prevenção e redução de riscos de desastres, muitas vidas seriam poupadas e prejuízos, minimizados. Claramente, podemos comparar a ajuda humanitária como o remédio que apenas ataca um sintoma. Ela não pode substituir a abordagem às causas estruturais dos problemas, pois somente dessa forma nos livraremos desse ciclo vicioso.

    Neste Dia Mundial de Ajuda Humanitária vamos render homenagens à solidariedade humana e honrar todos aqueles que dispõem de seu tempo e recursos para ajudar o próximo. Mas também é um momento para nos conscientizarmos que somos responsáveis pela construção de uma humanidade mais justa, igualitária e resiliente.

    *Renata Monteiro Pereira é diretora-executiva da ONG CARE Brasil

  • Não temos tempo a perder. A transição precisa começar agora - 17/09/2012

    Por Kit Vaughan*

    Nosso planeta está em estado precário. O caminho rumo à sustentabilidade está mais fora do trilho do que há 20 anos, quando a primeira conferência das Nações Unidas ocorreu no Rio.  Em 92 já sabíamos quais eram os desafios e soluções e hoje também os conhecemos. O que nos impede de avançar?  Não falta ciência ou recursos materiais. São os nossos sistemas políticos e econômicos que falham em cessar a injustiça social, erradicar a pobreza e combater a degradação ambiental. Falta vontade política para melhorar a vida de milhões de homens e mulheres que vivem na pobreza e salvaguardar o meio ambiente.

    Nosso atual e cego modelo de crescimento econômico favorece a prosperidade da minoria que vive nas nações desenvolvidas e que concentra riqueza nos países em desenvolvimento. Ainda que tenha retirado comunidades vulneráveis da pobreza, falha profundamente em manter milhões de outras numa pobreza opressora. O atual modelo é também alicerçado na exploração dos recursos naturais e se dá a um custo cada vez mais elevado de destruição dos biomas e da biodiversidade.

    As disparidades globais de poder e de acesso a recursos, aliadas ao consumo excessivo dos países industrializados, exacerbam as desigualdades socioeconômicas e a degradação ambiental.  Chegamos a um nível de degradação que ameaça reverter os avanços do desenvolvimento e que já limita as opções de desenvolvimento de gerações atuais e futuras.  Mudanças climáticas, perda de biodiversidade e degradação dos ecossistemas minam a saúde do planeta e do capital natural que todos dependemos. Este capital natural é essencial para as nossas sociedades e economias e especialmente crítico para os mais pobres, que dependem do solo e acesso à agua.

    Precisamos de uma mudança radical para um desenvolvimento sustentável, resiliente, e com equidade, priorizando as necessidades dos mais pobres e a proteção dos biomas. A transição deve efetivamente endereçar as mudanças climáticas, a segurança alimentar de uma população em crescimento e a equidade de gênero, com foco no aumento da resiliência das comunidades vulneráveis.  Os esforços para uma sociedade sustentável não podem se dar às custas dos mais pobres ou sob o manto das injustiças sociais.

    Os líderes mundiais na Rio +20 discutirão os mais graves problemas do planeta e têm a responsabilidade de agir sobre as oportunidades reais para uma efetiva transição a uma economia verde, inclusiva e sustentável. Precisamos pressionar e fazer com que assumam a sua responsabilidade, ao mesmo tempo em que lhes apontamos oportunidades, apresentando experiências de sucesso e formulando novas ambições e formas de cooperação para um futuro mais sustentável. Em jogo está o futuro do nosso único lar e o bem-estar de seu meio ambiente e habitantes. Não temos tempo a perder. A transição precisar começar agora!

    *Kit Vaughan, coordenador de Advocacy da CARE Internacional para questões de Pobreza, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, integra a delegação da ONG na Rio +20

  • Consciência Negra e Valorização da Diversidade - 18/11/2011

    Rosa Andrade, presidente do Conselho Deliberativo da CARE Brasil e especialista em projetos de estudo étnico-raciais, fala neste artigo em comemoração ao Dia da Consciência Negra sobre as conquistas e desafios dos afrodescendentes e também sobre o trabalho da CARE no combate estrutural à pobreza.

  • Mulheres, Mudanças Climáticas e Pobreza - 01/11/2011

    Em outubro, a ONU celebrou o Dia da Internacional de Combate à Pobreza. Esta data é comemorada desde 1992 e tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a necessidade de erradicarmos a pobreza em todo o mundo. Neste dia a CARE Brasil buscou fazer algumas reflexões sobre o combate à pobreza que gostaríamos de dividir com todos.

  • A guerra que não podemos perder - 17/10/2011

    No 19° aniversário do Dia Internacional de Combate à Pobreza, Markus Brose fala sobre a falta de compromisso e de prioridade que essa questão recebe no mundo.

  • Participando das promessas da democracia - 05/09/2011

    Markus Brose fala sobre os desafios de combater a pobreza no país no aniversário de dez anos da CARE Brasil em 2011.

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