Enquanto o Dia do Meio Ambiente (5 de junho) é celebrado em todo o mundo, mais de 190 delegações estão reunidas para uma nova rodada de negociações sobre o combate às mudanças climáticas, em Bonn, na Alemanha. Parte do acordo a ser negociado inclui medidas de proteção às florestas – REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), que traz a ideia de recompensar os países para protegerem suas florestas. No entanto, sem a devida consideração da realidade social e econômica do território, dos moradores e das mulheres, em particular, a CARE adverte que o apoio à conservação florestal nos países em desenvolvimento pode contribuir para um agravamento da situação.
“Nós não podemos simplesmente ignorar as mulheres, especialmente em comunidades rurais. Elas trabalham, vivem e cuidam das florestas. As compensações em dinheiro podem facilmente acabar nas mãos de pessoas poderosas, enquanto as mulheres sem acesso a seus direitos perdem o direito de utilização das florestas, das quais dependem para sobreviver”, diz Poul Erik Lauridsen, que está conduzindo o trabalho da CARE Internacional de construção de políticas para mudanças climáticas.
Iniciativas de adaptação e mitigação às mudanças climáticas que não incluem grupos de mulheres não são apenas injustas, mas também menos eficazes. Para o diretor executivo da CARE Brasil, Markus Brose, “aqueles que vivem os problemas e consequências das mudanças climáticas são os melhores para enxergar as soluções”.
A CARE Brasil trabalha com mulheres em todos os territórios onde atua para garantir que suas vozes sejam ouvidas no debate sobre o clima e para melhorar o seu acesso à informação e recursos. No sul da Bahia, por exemplo, dentro do trabalho de promoção do uso racional de recursos naturais, moradoras de três assentamentos de reforma agrária foram envolvidas na recuperação florestal de suas regiões, em uma iniciativa que já completa quatro anos. “O processo de recuperação das áreas degradadas foi participativo, com o envolvimento das famílias em todas as etapas. Vimos também uma mudança cultural”, afirma Markus.
A participação de jovens e grupos de mulheres foi essencial para a recuperação de mais de 50 hectares de áreas degradadas, entre margens de rios, matas ciliares, reservas legais, regiões de nascentes e topos de morros. A ação das mulheres foi decisiva tanto na participação ativa no trabalho de reflorestamento, quanto na sensibilização e mobilização de maridos e parceiros sobre a importância da restauração florestal.
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Sobre a CARE
CARE é uma organização não-governamental global, com mais de 60 anos de experiência, que trabalha de diferentes formas para combater a pobreza no mundo. Com forte atuação também em emergências humanitárias, a CARE está presente em 72 países nas Américas, Europa, Oriente Médio, Ásia e África. No Brasil, foi fundada em 2001 e atua na promoção do desenvolvimento local por meio de ações de inclusão social, fortalecimento da economia local, uso racional dos recursos naturais, inovação na gestão pública e mobilização social. Investe especialmente em geração de renda e educação nos cinco programas que possui: três em áreas rurais da Bahia, Goiás e Piauí; e dois nas periferias das duas maiores metrópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo. Para mais informações visite: www.care.org.br.









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